Rio Peruaçu

Entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no norte de Minas Gerais, numa área de 56.000 ha. está localizado o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu.

Para entrar lá, recebemos uma autorização especial emitida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia brasileira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, integrando o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O ICMBio surgiu de uma reestruturação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), anteriormente responsável por tais atribuições. O nome do instituto é homenagem ao seringueiro ativista mais famoso do mundo, o acreano Chico Mendes, que defendia a floresta e os direitos de sua profissão e que, por causa de sua luta, foi assassinado em 1988. Portanto, é ele que é responsável pela administração das unidades de conservação federais, áreas de importante valor ecológico.

Guiados por Quinca, passeamos pelo parque, de ponta a ponta, ou seja, começando na parte Januária até sair em Itacarambi. O lugar é mágico e confesso que nunca ouvi um silêncio tão profundo, em uma área tão aberta. Do alto, e bem de longe, corre o São Francisco. E de uma altura que não sei dizer ao certo, tive o privilégio de ver o rio Peruaçu (afluente do Velho Chico), a caverna do Jamelão e o segundo maior estalactite do mundo, chamado de “Perna da Bailarina


Em seguida, passamos pela artesã Vanusa e suas obras inspiradas no cotidiano do lugar, pelas maravilhosas Barrigudas e bem na saída, no povoado de Caríbas onde um tremor de terra deixou a sua única vítima fatal no Brasil.


O lugar ficou marcado e suas casas destruídas, ampliadas pelo abandono. É triste ver tudo destruído. A grande maioria dos seus moradores foram para um conjunto habitacional na periferia de Itacarambi e dizem descontentes pela falta de emprego. Segundo Quincas, eles pretendem voltar para tentar a viver como antes, plantando em seu próprio quintal.

Todo o Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando a pesquisa científica, a educação ambiental, recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico. E é absolutamente, fantástico!

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18 Comentários para “Parque Nacional Cavernas do Peruaçu”

  • Olá, estarei em viajem da Chapada Daiamantina a Brasília em janeiro de 2014, e estou procurando um lugar para dormir no caminho. Achei interessante conhecer Januária e passar alí um dia. Você sabe me dizer se tem passeio com guia para alguma destas cavernas? É difícil o acesso? Estarei eu, minha esposa e dois filhos 11 e 7 anos, que já estão acostumados com trilhas de nível médio. A cidade tem locais de boa hospedagem. Desde já agradeço a atenção.

    • Olá Claúdio!

      Em Januária nós ficamos na pousada do SESC. Acredito que vocês irão gostar de lá. É amplo, são chalés simples, mas limpos e confortáveis. Tem piscinas, restaurantes e o preço é tranquilo. Veja o link: (http://www.sescmg.com.br/index.php/unidades/interior/januaria)

      E sim, o acesso às grutas é difícil, mas não impossível. Há lugares específicos, o guia te orientará.
      Para o parque, quem dá a autorização é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia brasileira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, integrando o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). Acredito que você possa conversar diretamente com eles em Itacarambi, e assim, um guia te acompanhará. É tudo muito pertinho (média de 40km de uma cidade à outra : Januária – Itacarambi) .
      Em Itacarambi tem uma pousada linda que se chama Camaleão. Veja mais sobre Itacarambi neste link (http://www.amoresnovelhochico.com.br/category/itacarambi/)

      O trabalho do guia é pago. Em torno de R$80,00 dependendo do caminho que for fazer.
      Acredito que se explicar direitinho o seu objetivo, mesmo sem ser da imprensa, conseguirá.
      Qualquer dúvida, pode me contactar, ok?
      Abraços e obrigada.

      Valéria

      Assista também as nossas outras histórias. Vai gostar!

  • Olá Amores!! Bom dia!!
    Estou atrasada para acompanhar as suas viagens Amores! E o artigo da semana está arrasador, pois eu, até então, ainda não conhecia muita coisa sobre o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu …Apenas sabia que lá poderia explicar sobre a nossa própria história! Ora, não conhecer tamanho patrimônio histórico é lamentável porque eu sou mineira , nasci nesta linda terra que deixei ainda bebê e agora preciso retornar às raízes!!

    Tudo é muito bem retratado, como em todas as postagens que publicam! A leveza das palavras dispostas, as imagens, a descrição detalhada dos locais e de ter o privilégio de saber que é nesta caverna que se encontra o segundo maior estalactite do mundo, a “Perna da Bailarina” é realmente fantástico!!!! No vídeo vi a “barriguda” que se assemelha demais ao Baobá! É linda!
    O artesanato local é bastante criativo e cada peça tem a essência das artesãs carismáticas e cheias de entusiamo.
    Ah, então foi lá que teve aquele terremoto tão divulgado? Mais um ponto de conhecimento que auferi aqui, agora!!!

    O vídeo está lindo demais! Vocês são profissionais e sabem produzir material de alta qualidade! Parabéns!!
    Obrigada por compartilhar trabalho tão belo!
    Tenham uma maravilhosa semana!!!

    • Obrigada Adriana! A gente continua seundo o trajeto do rio e é um enorme prazer compartilhar ests momentos com pessoas como você!

      Grande abraço!

  • Valéria e Equipe!
    Sensacional matéria!
    Vocês nos fazem descobrir verdadeiros paraíso ecológicos desta nossa rica e abençoada terra!
    Adorei conhecer mais sobre a vasta e rica arte do nosso povo, da nossa gente…
    A fantástica Perna da Bailarina e o trabalho da Vanusa, uma talentosa artesã.
    E foi muito bom fazer esta viagem até o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu!
    Parabéns a você e toda equipe!
    Beijos

    • A gente não tem ideia das belezas do nosso pais. Em especial este parque, Alba. O parque, com sua imensidão, chamou atenção também pelo silêncio. O belo silêncio. Além das barrigudas com cara do Pequeno Princípe. Da cidade deixada, com a apreensão que deve ter sido aquele momento de terror e que ficou lá, bem marcado. A simpatia das pessoas que encontramos.

      Obrigada Alba!

  • O parque é lindo, a cidade abandonada é triste, mas no meio termo disto tudo esta a artesã e sua arte! E as pessoas ainda querem vesti-la! Aff!!!

    A Arte se apropria da mesma cultura mas usa esta linguagem de uma outra maneira, como forma de expressão. A cultura de um povo é que vai mostrar sua Arte, ou seja, a Arte retrata a cultura dentro do momento histórico em que está sendo produzida.

    Parabéns Valéria e equipe., E mil parabéns a Vanusa e sua linda arte!

    Beijos

    Terezinha

  • Na verdade, as pessoas que moram nas áreas tidas como de importância ecológica não são reconhecidas como atores sociais e são excluídas do processo decisório que envolve a tão falada conservação da biodiversidade.

  • Vou trazer para cá uma parte de uma monografia da Mariana Mungai sobre o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu que ilustra a situação do local. A ideia em faze-lo foi para contribuir nas informações aqui e agregar mais valor ao trabalho de vocês, que eu já acho brilhante!!!

    (…) No norte de Minas Gerais, abriga grandes riquezas no que se refere à biodiversidade e à sociodiversidade, inserido em um contexto secular de explorações e desigualdades sociais, políticas e econômicas. A pesquisa aponta que os conflitos se acirrarão sobremaneira diante da iminência de abertura do Parque à visitação pública, pois não se vislumbra uma concórdia entre os múltiplos usos e significados do/para o Parque e seu entorno. Antes da sua abertura, ainda sem previsão, já se anuncia uma mobilização desfavorável ao envolvimento daspessoas que passarão a conviver/sobreviver com valores e normas que demandam disposição individual à renúncia e à espera, em um contexto de preservação ambiental.(…)

    O atual governo parece não refletir sobre suas ações, não questionando se as consequências advindas de sua política compensam custos sociais, econômicos e ambientais. A realidade que envolve o campo da conservação ambiental no Brasil é hoje contraditória, excludente e marcada por conflitos. Como afirma Porto-Gonçalves (2003:19) os problemas ambientais no Brasil estão intimamente ligados à estrutura de poder, de partido e de representação política. A que e a
    quem interessa esse modelo de desenvolvimento e crescimento?

  • O Parque do Peruaçu possui a maior concentração de cavernas do Brasil. Entre elas a do Janelão, que possui o maior pé direito de cavernas do país.

    Emocionei-me com a matéria ao ver a cidade acabada. Uma pena.

  • Peruaçu é um paraíso para pesquisadores, além das cavernas repletas de obras de arte produzidas pela natureza a região possui inúmeras pinturas rupestres

  • Oi Valéria

    Nossa! Que espetáculo da natureza. Nunca tinha ouvido falar neste parque.

    Adoro as descobertas que faço aqui. Saudades!

    Lindas as esculturas! A arte é realmente divina, não precisa de saberes, é ela quem ensina.

    Beijos

    • Lindo demais, não é Van?

      Tudo ali, é de prender o ar. As grutas, as artes, a cidade abandonada…

      Grande abraço para você.

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