Carrancas têm orelhas, às vezes, de leão, noutras cachorro, mas, de certo todos, em tamanho extra grande. Vai de toda cabeça à cabeleira. A língua, jogada para fora da boca, despenca-lhe sobre o peito. Muitas das vezes aparece sorrindo, noutras os olhos esbugalhados mostram dentes pontiagudos meio ao sarcástico. O conjunto da figura impressiona por seu aspecto monstruoso, algo diabólico, feito para dar medo e assustar.
Mas a intenção de conotar agressividade feroz à figura, visa proteção a embarcação contra os maus espíritos, de preferencia o Caboclo D´agua. Um sujeito de outro mundo ou outras eras que gosta muito de bagunçar.
Lendas à parte, realidades à dentro, o fato é que elas se modernizaram. Ou se perderam com o decréscimo e quase desaparecimento da navegação ribeirinha, assim como o fim das gaiolas. Hoje são artefatos, artístico e artesanal, para casas, escritórios e similares.
Talvez também, por isto, o Caboclo D´agua anda sumido. Não teve competência ao parear-se frente aos desmandos e assombros reais do mundo chamado de moderno.
































Vera Alvarenga says:
Valéria, adoro máscaras. A gente teve uma carranca, há tempos atrás, mas vou confessar não gostava muito dela não. O homem sempre inventa “máscaras” e rituais para se proteger, não é mesmo? Agora eles estão fazendo imagens de santos, porque de qualquer modo, entre o bem e o mal, melhor se precaver, embora todos nós tenhamos um pouco de cada coisa. Este caboclo d água fazia bagunça no barco? é só a gente imaginar como os momentos de raiva, medo, insegurança, ciúme,etc..fazem bagunça na vida da gente quando estes sentimentos se demoram em nós, em nossa casa, ou no trabalho, ou na política! Quem sabe as medalhas no pescoço tinham de voltar a ser usadas, ou tatuadas…
Por falar em política…ouviu o que ela disse? – ” é a lei, né? Tem que aceitar!”
Beijos.
Vera Alvarenga
Amores no Velho Chico says:
Sim Vera, eu ouvi bem o que ela falou! Parece caso de Caboclo, né? Acho até que o tal Caboclo não sumiu, apenas mudou de roupa. rsrsrs
Não tenha medo do danado viu? Dizem que suas artimanhas pareciam coisa de Saci Pererê, que só queriam fazer bagunça. Nossa, parece que ta tudo misturado, né?
Abraços!
Van says:
Olá Valéria
adorei essa sua colocação comparando a maldade antiga com os males atuais. Tão ingênua quanto o caboclo d’água poderia ser, a maldade antiga não faz mesmo frente às malícias destruidoras de hoje que não fazem só bagunça, mas desconstroem e matam fisicamente e espiritualmente, de alguns conseguem matar até a esperança, que é sempre a última que morre.
Ainda bem que existe a arte para eternizar a lenda, a cultura, os medos ingênuos e a beleza do imaginário popular. A arte é um dos ingredientes que revigoram a esperança.
O vídeo é espetacular, o trabalho do “Amores no velho Chico”, magnífico, relevante e belo. Parabéns!
Abraços
Amores no Velho Chico says:
Ahhhm, que legal! Vc viu isto, Van! E é exatamente o que esta na fita! Como resistir, como ser superior e dar conta das “lendas” reais dos dias de hoje? Pena que ele fugiu, né?
Agradeço, imensamente, a sua visita! Show de bola!
Luísa L. says:
Lindo, lindo, Valéria. Haverá sempre gente sensível, e a arte não se perde.
Beijinhos!
Amores no Velho Chico says:
Não Luísa, a arte não se perde mesmo! E eu espero que ela continue perdurando, do jeitinho que começou e por muito tempo mesmo!
Muito obrigada. Abraços no povo de Portugal!
José Sidney Preira says:
Eita Valéria,
Fiquei com pena do Caboclo D’água, que primeiro perdeu as caronas e agora vem perdendo até a credibilidade. Também, com a concorrência dos dias de hoje.
Mas olha que o conceito de carrancas poderia ser modernizado também. Até vejo uma, em miniatura, feita de madeira de reciclagem, encimando cada Urna Eletrônica nas próximas eleições (Vá de retro Zé Serra!), outras monstruosamente gigantescas, feitas do material mais resistente que o homem já tenha inventado, para durar a eternidade, patrulhando a Praça dos Três Poderes (Vá de retro Zé Serra!). E até as esculpidas em bytes & bits, estampando a página inicial do Santo Google, para desasombrar o resultado de nossas pesquisas. Nossa, como tem vindo assombração a cada busca pela verdade e sentido da vida, que chego a fraquejar em minha fé no Santo Google. rs
Excelente, Valéria. Isso mostra bem o novo Brasil que esta surgindo. Um Brasil que as vezes me assusta, as vezes me comove. Mas que ainda se recria injusto. Não deixo de pensar no por que de tanto cuidado com a madeira das carrancas e nenhum com os móveis de consumo em massa. Parece que tem mais vereadores que empresários de móveis nessa terra. E a mata some. Mas as carrancas que pagam o pato. Será que o Caboclo D’água, ardilmente, virou lobbista????
Abraços
Amores no Velho Chico says:
Pois é, Seu José, pois é bem assim. Uns podem tirar a árvore, sem papeis e carimbos. Outros, nem pensar. É confusão na certa! Coisas da lei, segundo a artesã.
Por isto o tal caboclo d´água foi assustar em outras áreas. Pelas bandas do mundo de cá, já tem muita assombração! Por isto não sei te responder se o danado do assustador virou lobista ou resolveu ficar só na lembrança. Também pudera, a concorrência anda desleal!
Já os zelos e cuidados com a madeira a ser utilizada, vem das mãos do artesão. Afinal de contas, e no final dela, sobra-lhe o orgulho, né? Este é isento de carimbo e taxas!
Abs e muito obrigada!
Valéria says:
Oi minha chará… eu adoro estas histórias e lendas… e é incrível como eles falam com uma certeza total.
Seja lá como for, eu adoro estas carrancas…. e admiro demais o dom que tem estes artesãos.
Beijo no coração
Amores no Velho Chico says:
São dons que extrapolaram o simples “carrancar” querida Xará e Chará! Na próxima matéria vc verá isto!
Obrigada por sua presença!